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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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A gestão das Forças Armadas

08 mar, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O insólito caso de Tancos pôs em causa a boa imagem das Forças Armadas, até há pouco prevalecente na sociedade portuguesa.

É um tanto deprimente voltar a falar do caso do roubo de Tancos, um sério candidato a figurar no Guiness. Ainda não se conhece, pelo menos publicamente, quem esteve na origem deste insólito “roubo” (o ministro da Defesa até pôs em dúvida que se tratasse mesmo de roubo), devolvido depois na Chamusca com um bónus.

Decorre uma investigação criminal sobre o assunto e há que aguardar. Mas, como disse o Presidente da República, o apuramento interno deste e de outros casos vividos no seio das Forças Armadas (FA) permitiu “identificar omissões, insuficiências ou erros estruturais” e definir mudanças.

Sobre o alegado roubo de armas e munições de Tancos, tornado público no passado dia 29 de junho, o Exército instaurou quatro processos disciplinares.

O primeiro processo dizia respeito ao "incitamento à prestação de falsas declarações" e recaiu sobre uma praça, que já cumpriu pena, seis dias de proibição de saída do quartel. A pena mais gravosa decorrente destes processos foi aplicada a um sargento que não mandou fazer as rondas. Foi proibido de sair do quartel durante quinze dias.

Um oficial que estava de serviço no dia do furto, "e que podia ter ele próprio feito a ronda e não o fez", foi punido com uma "repreensão agravada".

O quarto processo disciplinar resultou numa "repreensão simples" ao militar responsável pelo controlo de entradas e saídas das cargas dos paióis, por não ter preenchido corretamente o registo do material. Depois disto, a 25 de janeiro o Exército declarou nada mais ter a revelar sobre este assunto.

Ora um pouco mais de transparência por parte da instituição militar parece exigível, no seu próprio interesse. É que a imagem que ficou desta trapalhada não favorece os militares.

Há sinais (a confirmar ou a infirmar) de uma gestão pouco diligente e nada cuidadosa da vida militar corrente, contrária à ideia prevalecente até aqui na sociedade portuguesa de que as Forças Armadas funcionavam debaixo de uma estrita disciplina.

O ministro da Defesa prometera entregar na Assembleia da República, até ao final de fevereiro, um “dossier” contendo as medidas estruturais tomadas pelas FA na sequência de Tancos.

Mas a preparação desse “dossier” atrasou-se; esperemos que não demore muito mais, de maneira a esclarecer a opinião pública e os contribuintes que pagam as Forças Armadas.

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  • Marco Almeida
    08 mar, 2018 Olhão 21:20
    Oh senhor Francisco Sarsfield Cabral, nunca lhe ensinaram que nunca se deve generalizar, as Forças Armadas não são só o Exercito, da maneira como escreve até parece que aconteceu o mesmo nos outros dois ramos, um pedido de desculpas não lhe ficava nada mal.