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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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Alívio em Berlim

05 mar, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Finalmente, vai haver governo em Berlim. Um outro resultado no referendo do SPD teria sido dramático para a UE.

Quase meio ano depois das últimas eleições, a Alemanha vai finalmente ter um governo. O resultado de referendo interno do SPD sobre a coligação com Merkel foi recebido com alívio, porque um “chumbo” à coligação iria abrir uma grave crise na Alemanha e na Europa comunitária.

Foi pequena a abstenção dos militantes socialistas. 78% dos 464 mil militantes do SPD votaram; e o “sim” ganhou com 66% dos votos. Embora menor do que a margem obtida em 2013 para a coligação anterior (76%), é uma vitória clara.

Mas o novo governo não irá navegar num mar de rosas. O SPD está abalado e vive ainda sob uma direção provisória. É provável que muitos dos socialistas que votaram a favor da coligação o tenham feito por recearem que novas eleições dariam ao partido um resultado ainda pior do que o obtido em setembro passado (20%).

Do lado de Merkel, ela está politicamente enfraquecida. E só a contragosto os democratas-cristãos da Baviera (CSU), aliados da CDU, concordaram com a coligação. Da CSU e da ala mais à direita da CDU a hostilidade a Merkel e à sua política de imigração é evidente.

As primeiras felicitações pela vitória da coligação vieram, como seria de esperar, do presidente Macron. Foi longa a espera de Macron por um governo em Berlim, permitindo ao eixo franco-alemão avançar com algumas propostas reformistas para o futuro da integração europeia.

Para já, Merkel sugeriu uma retaliação conjunta da Alemanha e da França às medidas protecionistas tomadas por Trump nos sectores do aço e do alumínio, mas que poderão estender-se à importação pelos EUA de automóveis europeus. Seria um bom princípio.

Comentários
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  • couto machado
    05 mar, 2018 Porto 15:47
    se não houver juízo, a "coisa" europeia pode complicar-se até ao desastre. ainda bem que a situação chegou ao fim.