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Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​Nova era na Gulbenkian

09 fev, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


Nascida com dinheiro do petróleo, a Fundação afasta-se do “ouro negro”. Faz bem.

Antes do 25 de Abril, a Fundação Gulbenkian desempenhou em Portugal um papel fundamental, sobretudo no campo cultural. Quando a Fundação foi criada, em 1956, a promoção cultural que o Estado português então fazia era mínima. Valeu a Gulbenkian para trazer a Portugal grandes figuras das artes, da ciência, do pensamento. E para criar instituições como os seus museus, uma orquestra, um coro e as famosas bibliotecas itinerantes, que percorriam o país para o tornar menos iletrado, um serviço extinto em 2002. Também foi da Gulbenkian a melhor companhia de dança do país no séc. XX, extinta em 2005.

Tudo isto e muito mais fica dever-se a um homem de origem arménia, Calouste Gulbenkian, que enriqueceu com o petróleo do Iraque (ou do que seria depois o Iraque). Este homem, grande colecionador e amador das artes, veio viver para Lisboa, num hotel de luxo que já não existe – o hotel Avis. E em grande parte devido ao poder de persuasão do seu advogado, José Azeredo Perdigão, Calouste deixou a sua fortuna a Portugal em testamento, para criar uma fundação. Azeredo Perdigão seria o primeiro presidente da Fundação Gulbenkian, lugar que ocupou até à sua morte, em 1993.

Nascida com o dinheiro do petróleo, a Gulbenkian vai desligar-se do petróleo. A empresa da Gulbenkian que trata dos assuntos ligados ao petróleo, a Partex, criada em 1938 por Calouste Gulbenkian, contribui com perto de um quinto dos rendimentos da Fundação e tem sido dirigida por um grande conhecedor do mundo do petróleo, António Costa e Silva. Se tudo correr como previsto, a Partex será vendida.

Julgo que a Fundação Gulbenkian faz bem em se afastar do petróleo. Sobretudo por razões ecológicas, importa depender cada vez menos de combustíveis fósseis. E como a Fundação é bem gerida, não há que recear qualquer quebra na atividade desta “sorte grande” que saiu a Portugal há 62 anos.

Comentários
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  • Vasco
    11 fev, 2018 Santarém 22:34
    Veremos se acabar com esta fonte de financiamento não irá dar em falência, é que sem fontes de receita e talvez muita gente a comer do tacho sem nada contribuírem para a renovação das receitas possivelmente o resultado não irá ser famoso.
  • Indignada
    10 fev, 2018 Fig foz 17:20
    Sr. Cabral só lhe ficava bem se fosse um pouco mais honesto em relação aoEstado Novo...., eu sei que o hábito, cobarde, é caluniar o regime, uma das características deste! A promoção cultural que o regime fez NÃO foi mínima..., o povo é que no geral era avesso, e continua (!) a tudo o que cheire a instrução, cultura, a pensar e reflectir. Ou como explica os serões culturais e representações teatrais que a Mocidade Portuguesa fez pela província nesse tempo? Por outro lado, quem cativou Calouste Gulbenkian para vir para Portugal e cá ficar, foi o embaixador Caeiro da Mata, não o Dr. Azeredo Perdigão que só posteriormente tem uma acção de relevo. CGulbenkian ficou cá e deixou grande parte dos seus bens a Portugal, graças ao ambiente de liberdade e paz que o Dr. Oliveira Salazar tinha conseguido..., e que era admirado por aquele.
  • Romero
    10 fev, 2018 Lisboa 14:22
    As energias alternativas estão muito dependentes das condições atmosféricas enquanto o petróleo está em reservas naturais e não vai a lado nenhum a n ser qdo extraído.Um terramoto,tempestade ou furacao deitarao por terra todas as estruturas eólicas ,fotovoltaicas etc e depois?O exagero em defesa do não uso total dos combustiveis fósseis é irrealista ,fanática e irresponsável. É uma forma extremista e fanática de exercer e querer manipular o PODER.O petróleo n vai desaparecer ,vai antes encarecer ou embaretecer dependendo das politicas mundiais serem racionais ou fundamentalistas.
  • António Costa
    09 fev, 2018 Cacém 09:55
    O petróleo não é eterno...."afastar-se" cedo demais ou tarde demais é perder muito dinheiro. Bom senso, é necessário em tudo e é afastar-se na altura certa. E bom senso nunca faltou à Fundação Gulbenkian.
  • Afonso
    09 fev, 2018 Lisboa 08:45
    Mais uma vez a administração da fundação Calouste Gulbenkian a tirar areia para os olhos dos Portugueses... inacreditável todo este processo de venda, nao passa de uma operação de comissões para os amigalhaços encherem os bolsos a conta do que o Sr. Calouste deixou a Portugal, o objetivo era expandir não vender, muito triste....