Opinião de José Luís Nunes Martins
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Como chegamos a uma decisão?

05 jan, 2018 • Opinião de José Luís Nunes Martins


Decidir é preferir entrar por uma porta, o que implica preterir todas as outras. E há quem não consiga aceitar que a vida é feita de sacrifícios que exigem deixar para trás coisas boas, em vista de outras, melhores.

Pensamos para decidir bem, mas o momento da decisão não é racional. Decidir é passar da deliberação à ação, deixando o pensamento para trás. A decisão implica sempre uma cisão, uma rutura, um corte.

O momento crítico da decisão é uma espécie de salto interior que estabelece uma distância enorme entre o antes e o depois. Um instante chega para que mudemos de rumo e comecemos um novo capítulo na história da vida.

Decidir é preferir entrar por uma porta, o que implica preterir todas as outras. E há quem não consiga aceitar que a vida é feita de sacrifícios que exigem deixar para trás coisas boas, em vista de outras, melhores.

As dúvidas e incertezas não desaparecem com a decisão. Muitas vezes, se lhe dermos espaço interior, até aumentam. No entanto, como é tempo de aplicar o que se determinou, devemos guardar para depois as análises e avaliações. Se passarmos o tempo à espera de resultados, não fazemos nada. Há tempo para pensar e tempo para agir. Decidir não é só mudar de um tempo de meditação para outro.

Não devemos cair na tentação de ficar à espera que as circunstâncias e o tempo decidam por nós.

Quantas decisões importantes são tomadas com base em detalhes ou estados de espírito passageiros? Mas antes assim do que as que à custa de tanta cobardia face ao medo se adiam ao ponto de renunciarmos ao essencial da nossa liberdade.

Cabe a cada um de nós determinar os seus objetivos e descobrir a sua missão.

Decidir não é apenas escolher onde colocar o pé no próximo passo, é também decidir quando será dado. Mais, é dá-lo no sentido e no tempo certos.

As hesitações não são prudentes, são fúteis e fatigantes. A existência é determinada pelas nossas decisões, não pelas nossas circunstâncias. De que vale saber a solução depois do tempo? Quem espera pela perfeição para agir nunca faz nada! Querer saber tudo para depois decidir é o mesmo que viver num mundo onde não fazemos falta.

Os compromissos são duradouros e têm decisões concretas como pilares. Deixamos de ser decisores para passarmos a ser a própria decisão.

O medo paira em torno dos que escolhem ser senhores do seu destino. A sua força está em aceitarem que a vida é mesmo assim: uma aventura cheia de altos e baixos onde a felicidade é a alegria de sentir que, apesar de tudo, nunca paramos de seguir para diante! O que passa será passado, apresentemo-nos nós ao amanhã.

As consequências das nossas resoluções são sempre mais do que aquelas que nos é possível prever. Mas decidir é abrir portas e avançar, não é fechá-las e escondermo-nos.

Se não souberes para onde ir, toma atenção ao vento que sopra… e vai, não para onde ele vai sem ti… mas para onde tu queres ir, com ele.

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  • MASQUEGRACINHA
    06 jan, 2018 TERRADOMEIO 16:17
    Daí que atitudes do tipo "se soubesse o que sei hoje...", ou o paradoxal "o meu mal é ser demasiado bom", sejam exercícios absolutamente estéreis e irracionais. De facto, não bastaria saber o que se sabe hoje, mas sim saber a que conduziriam todas as outras decisões possíveis - e nada nos diz que diferentes alternativas não se revelassem bem piores; e nunca a bondade é demasiada, uma vez que corresponde mais a uma satisfação própria, quase egoísta, do que às eventuais necessidades dos outros - outros cujos caminhos alternativos, sem serem objecto da tal "demasia" de bondade, também nunca poderemos conhecer, podendo acontecer até que fossem mais positivos... Viver, e decidir, é em grande medida uma navegação à vista, com muito de intuitivo e emocional. Já para os eventuais balancetes e balanços entre causas e efeitos, apenas a integridade e a inteligência racional nos orientam e nos consolam. Na mesma circunstância, sabendo o que sabíamos, e sendo quem éramos, tomaríamos sem dúvida as mesmas decisões. Não tem sentido, portanto, um eventual arrependimento ou amargura pelo que se fez, movido por uma "demasia" de bondade. Talvez mais prudência no rácio circunstância/decisão...
  • Joaqum Santos
    05 jan, 2018 Tojal 20:21
    Na via é bom tomar decisões.