O site da Renascença usa cookies. Ao prosseguir, concorda com o seu uso. Leia mais aqui.
Opinião de José Luís Nunes Martins
A+ / A-

Querem mudança, mas não querem mudar-se

29 dez, 2017 • Opinião de José Luís Nunes Martins


Os maus momentos são tão importantes como os bons. Talvez até mais.

Passam as horas. O tempo passa e tudo a que ele está sujeito. Há boas e más semanas. Minutos melhores e piores. Anos de graça e anos de desgraças. E num só dia se pode viver a amplitude da vida, perder tudo ou chegar ao céu.

Os maus momentos são tão importantes como os bons. Talvez até mais. Dão-nos trabalhos e fazem-nos lutar, experimentamos as forças que temos para resistir e os talentos para superar as adversidades. No final, estaremos ainda mais fortes e valiosos.

Há instantes na vida em que nos sentimos em total desequilíbrio, como que a cair no abismo, sem qualquer amparo. É o sinal claro de que o tempo de mudar o que deve ser mudado está prestes a terminar. Esta urgência implica que busquemos o que antes até podemos ter evitado, fazendo aquilo que nunca antes fizemos. Com medo, mas com uma enorme vontade de viver em paz.

É essencial que cada um tenha confiança em si e nas ações de que é capaz. As intenções valem muito pouco.

Ninguém nos vem poupar à nossa vida, mas há quem passe a vida à espera de milagres. Não é fé, é falta de capacidade de compreender o sentido da existência.

A seta lançada só vai para diante depois de ter sido puxada para trás no arco. Assim, também quando a vida parecer estar a esmagar-nos, o mais certo é que, resistindo, mais cedo ou mais tarde, consigamos voar mais alto do que as nuvens mais belas!

Parece que as coisas precisam de correr mal antes de correrem bem… que temos de lidar com as pessoas erradas antes de conhecermos as certas. Como se fosse um preço, uma aprendizagem essencial ou uma mistura das duas coisas…

Os mais valorosos são aqueles a quem a miséria tenta abraçar, sem sucesso. Vivem na desgraça, mas não se deixam corromper.

Os que tomam a vida nas suas mãos, aqueles que lutam para se manterem retos apesar de tudo, são senhores do tempo. Vivem neste mundo, mas não lhe pertencem, são parte do tempo que existe antes e depois do tempo.

Desde a eternidade antes do tempo que a vida é um dom que se deve merecer. E assim será.

O que fizeste com o tempo que já passou?

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • MASQUEGRACINHA
    29 dez, 2017 TERRADOMEIO 22:28
    Pois, mas o problema não residirá nos "parece", nos "como se fosse", a que sempre se tem que recorrer quando se procura "compreender o sentido da existência"? A fé, essa invejável graça, contém em si mesma todos os determinismos explicativos. Só isso justifica que escreva como escreve sobre a vida ser um dom que se deve merecer, ou sobre a desgraça e a miséria incorruptíveis, esses senhores do tempo que vivem neste mundo mas não lhe pertencem... Pois não, que remédio. Sem a graça da fé, vive-se o desconfortável paradoxo da razão: tão de trás quanto venha, do arco dos Cavaleiros do Apocalipse ou do arco de Midas, a seta lançada está sempre a meio caminho do caminho que lhe falta percorrer, se calhar assim prosseguindo mesmo após a morte física e respectiva perca da auto-consciência, ad aeterno sempre a meio caminho... de quê? Penso por vezes no que Pascal dizia sobre a óbvia racionalidade de crer em Deus: por via das dúvidas, se Deus não existir, também não se perde nada. Ganhando-se, evidentemente, comportamentos mais comedidos enquanto por cá andamos, caso Deus exista... Tenho a certeza que Deus existe - tanta como ser eu (ou qualquer ser em concreto) uma inexistência para Deus. Seja como seja que a coisa funcione, nem o arco, nem a seta, têm relevância suficiente para que um dia lhes sejam feitas perguntas ou julgamentos - por difícil que seja assumir a responsabilidade, essa tarefa cabe-nos a nós, enquanto somos matéria e vivemos no tempo, rodeados de sofrimentos sanáveis.