Opinião de Francisco Sarsfield Cabral
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​O investimento público e a propaganda

18 out, 2018 • Opinião de Francisco Sarsfield Cabral


O investimento do Estado efetivamente concretizado nos últimos anos tem sido de forma sistemática inferior às metas anunciadas.

Grande parte dos graves problemas existentes no Serviço Nacional de Saúde ou na CP decorre na falta de investimento do Estado. Multiplicam-se os cortes e as cativações para reduzir o défice das contas públicas. Como é evidente, esses problemas trazem enormes incómodos pessoais e prejuízos financeiros para os portugueses. Daí que seja surpreendente que ainda haja quem afirme que a “geringonça” trouxe o fim da austeridade.

A propaganda governamental tem sido hábil e, pelos vistos, consegue enganar mesmo pessoas altamente qualificadas. Dessa propaganda fazem parte, por exemplo, os sucessivos anúncios de que o governo conhece bem os problemas e os vai imediatamente remediar. Aconteceu com a CP – só que ontem o jornal “Público” noticiava que a CP deixa passageiros em terra no Algarve. Em dez dias foram ali suprimidos 36 comboios e os autocarros de substituição não servem todas as estações. Por isso, inúmeros passageiros ficam em algumas estações sem saberem o que fazer. Como de costume, a CP diz que estas falhas estão em vias de solução…

Também é elucidativo aquilo que os governantes têm sucessivamente anunciado quanto à indispensável subida do investimento público. A proposta de Orçamento do Estado para 2019 anuncia o maior investimento público desde 2010. Mas será de facto realizado? Há motivos para duvidar. Tiago Varzim mostrou no diário “Negócios” que aquilo que foi inscrito nos Orçamentos anteriores deste governo quanto ao investimento do Estado nunca se concretizou. Há menos de um mês o primeiro-ministro garantia que o investimento público iria aumentar 40 % este ano. Mas parece que o aumento será de apenas 16%. E o seu peso na economia nacional, 2,1%, será inferior ao peso do último orçamento do governo PSD-CDS, 2,2 %. Em 2012 esse peso foi de 2,5 %.

O Governo procura justificar estas promessas falhadas com atrasos na execução dos fundos de Bruxelas – que, claro, será magnífica em 2019… Em entrevista ao “Dinheiro Vivo” Pedro Ferraz da Costa afirmou há dias: “Portugal há vários anos que investe menos do que a amortização do seu equipamento produtivo, ou seja, estamos a reduzir o capital produtivo e isso é um travão enorme ao crescimento da produtividade e dos salários.”

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