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Opinião de José Luís Nunes Martins
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​O silêncio nosso de cada dia

17 nov, 2017 • Opinião de José Luís Nunes Martins


O nosso espírito deve também descansar. Darmos paz a nós mesmos é fundamental. Só nós podemos conceder este dom ao nosso coração. Não nos chegará nunca de fora.

É essencial que saibamos encontrar e valorizar os tempos para parar, pensar e sossegar.

Em cada hora um minuto, pleno de paz, sossego e tranquilidade, será o suficiente para que a nossa disposição e humor melhorem e, assim, nos possamos lançar nos trabalhos que são parte do nosso dever.

Que em cada dia haja tempo para fechar os olhos, sentindo a vida, agradecendo as forças e os talentos gastos e saboreando as coisas boas da existência, por mais pequenas que elas possam parecer.

Em cada semana um dia, onde estejamos de forma mais dedicada com aqueles que estão ou deviam estar mais próximo. Escutando, admirando e cuidando. Partilhando a alegria e as tristezas do dia-a-dia.

Em cada ano alguns dias, há que fazer um intervalo nos desassossegos, voar a fim de ver bem a linha do caminho construído e percorrido, bem como para saber quais as opções para diante. Na verdade, por melhor que tenhamos chegado ao ponto onde queríamos, isso, por si só, não significa que estejamos a andar no sentido correto.

O silêncio não tem de ser um espaço de tédio ou infelicidade. Muito pelo contrário, pode ser um ponto alto onde, afastados do tumulto do quotidiano, nos podemos encontrar connosco mesmos e dialogar. Descansar também é estarmos onde ninguém nos veja. Por vezes, podemos fugir diante dos olhos dos outros, sem que eles se apercebam! Eles estão ali e nós… a pairar no cimo de uma montanha de onde se vê o mar!

Há quem tenha muito medo de si próprio e fuja, por todos os meios, dos momentos em que tem de se ouvir, das ocasiões em que não pode mentir de forma alguma, dos instantes onde a verdade é evidente.

O nosso espírito deve também descansar. Darmos paz a nós mesmos é fundamental. Só nós podemos conceder este dom ao nosso coração. Não nos chegará nunca de fora.

A coerência da vida e a harmonia da existência fundam-se no bem que fazemos. Na forma como nos entregamos. E, se nos podemos entregar melhor, então é isso mesmo que devemos fazer. Sem egoísmo, fingimento, superficialidade, hipocrisia, presunção, arrogância ou orgulho. O silêncio e o descanso são essenciais para nos aperfeiçoarmos. O esforço constante esgota.

A grandeza do meu silêncio está na sua confiança de que, aquietando as minhas perguntas, poderei escutar respostas que não as minhas… e a verdade que murmura.

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