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Histórias de música e futebol

Eusébio, o mais cantado dos jogadores portugueses


Ronaldo ainda não inspira músicas e outros ídolos do passado também não terão servido como musas para os compositores portugueses. Há quem acredite que a música não faz por homenagear os jogadores no seu tempo e que, por isso, grande parte dos tributos são tardios. Mas Eusébio foi "leitmotiv" para a música logo desde cedo e é provavelmente o jogador português mais homenageado em melodias e letras. E até num filme e num musical.

Clique em cima para ouvir o programa e depois ouça na íntegra as músicas de que falamos



De Lourenço Marques, Moçambique dos anos 40, à glória planetária. Eusébio, o Pantera Negra, representa-se a si próprio num filme de 1973, do espanhol Juan de Orduña.

E é nesse filme que descobrimos “Eusébio Miúdo e Senhor”, cantado por Vum-Vum, um dos mais conhecidos compositores angolanos dos anos 60. Será provavelmente a música mais antiga sobre Eusébio.

Eusébio será dos jogadores portugueses mais cantados pela música. E há de tudo, para todos os gostos.

É, por exemplo, cantado por uma figura conhecida no meio do Benfica: Paulo Parreira e os Possuídos (uma banda reconhecida pelo clube).

O “Pantera Negra” é uma música infantil, do também benfiquista Miguel Gameiro, inlcuido no álbum "Sou Benfiquista desde pequenino", de 2010.

"Subiu os colarinhos
Preparou-se para entrar
Olhos postos na baliza
Já ninguem o vai parar

Os outros estão com medo
Sabem quem é a Pantera
Que aparece de repente
Meio homem meio fera

Conhecido mundo fora
Diz o avô que assim foi
Que até tinha poderes
De um grande super-herói

Na hora de marcar golo
Nunca lhe faltava o jeito
Seu nome Eusébio
A Pantera de águia ao peito

Pantera negra. Pantera! Pantera negra. Pantera!
És o nosso grande herói"

Mas se pensa que apenas no universo do Benfica se eleva Eusébio a canção, aqui está um exemplo para contrariar a tendência.

É dos Retro Stefenson, uma banda islandesa (!). E este “Eusébio”, de 2010, canta: "Paciência é a chave para a alquimia vibrante".

Nem sempre a música se dedica a homenagear os jogadores no seu tempo, muitos tributos são tardios.

Mas no caso de Eusébio, é logo em 1966, que a banda do momento, os Sheiks, lhe dedica uma canção.

Paulo de Carvalho conta-nos que a música foi gravada sem a colaboração de Carlos Mendes e a convite da editora Valentim de Carvalho.

A ideia surge a propósito da euforia em volta da selecção depois do Mundial de Inglaterra. Eusébio conduziu Portugal a um surpreendente e inédito 3º lugar.

Ainda nos anos 60, o Conjunto sem Nome, um dos mais antigos conjuntos portugueses de musica pré-ié-ié, inspira-se no menisco do Eusébio e nas muitas lesões que debilitaram o seu joelho esquerdo.

O Joelho do Eusébio

"O joelho do Eusébio
Fez o mundo estremecer
Mas o eusebio tem joelho
Ainda para dar e vender

O joelho do Eusébio
Da para a defesa mais rude
E o menisco do Eusébio
É o menisco da saúde"

De volta para o século XXI. Em 2016 Eusébio ganha forma de musical, que a Renascença apoiou.

Veja a reportagem do Renato Duarte nos bastidores do espectáculo.

Quer ver como se faz o musical "Eusébio- Um hino ao futebol"?

Pelé, contemporâneo de Eusébio, apostou na música, como é sabido. Marcou 1.200 golos, diz que terá composto 500 cantigas. (ouça aqui o Som de Bola sobre a relação do jogador brasileiro com a música)

Já Eusébio tem uma conta mais modesta, de cerca de 800 golos. E seria bom cantor? Não há registos.

Mas Rui Veloso conta uma história, com mais de 20 anos. Uma noite num restaurante de Lisboa, afina uma guitarra e começa a tocar uma música de que Eusébio gostava. E assim, de repente, vê-se a tocar para o seu primeiro ídolo, que cantou e dançou também este “Irmã África”.

E é no disco de estreia do guitarrista Rui Carvalho – nome artístico: Filho da Mãe – que voltamos a ouvir Eusébio de toda uma outra forma. Em “Palácio”, evoca-nos o Pantera Negra. E é de 2011, este "Eusébio no Deserto", um instrumental para o mais musicado dos jogadores portugueses.


Na imagem em cima: Eusébio compra discos numa loja em Harlow, em 1968, antes da final europeia entre Benfica e Manchester United. Na mão tem o clássico de Otis Redding, "Sittin' on the Dock of the Bay". Foto: DR




"Som de Bola", por Maria João Cunha (jornalista) e Paulo Teixeira (sonorização). Arquivo Renascença: Ana Isabel Almeida. Ilustração: Ricardo Fortunato

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Comentários
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  • Dora Roxo
    06 jul, 2016 V. N.de Gaia 17:57
    Para o "Som da Bola": sugiro um apontamento sobre o Clube de Regatas Vasco da Gama - Rio de Janeiro. Clube fundado por portugueses e única instituição não governamental que hasteia diariamente a bandeira de Portugal a par da do clube e a do Brasil. Cantado por vários poetas tem Martinho da Vila, Roberto Carlos, Francis Rime, Paulinho da Viola, Marcelo Camelo (Los Hermanos),entre outros, no rol de seus ilustres torcedores. Foi no carnaval de 1998, ano de seu centenário, tema do desfile da Unidos da Tijuca. O Vasco da Gama merece pois, como diz no seu hino, "és um traço de união Brasil-Portugal."
  • Dora Roxo
    30 jun, 2016 V. N.de Gaia 01:49
    Alguém diga à apresentadora do "Som de Bola" sobre Ari Barroso que o nome do compositor brasileiro pronuncia-se "Arí" (como ali, aqui, abacaxi, Parati, etc. ) e não Ári. Saudações.