Opinião de João Ferreira do Amaral
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A França é a França

14 dez, 2018 • Opinião de João Ferreira do Amaral


Macron prometeu um conjunto de coisas que, a serem cumpridas, irão agravar o défice orçamental francês. Todos estaremos atentos para verificar como reagirá a Comissão Europeia a esse eventual agravamento do défice.

Um tiro no porta-aviões!

Esta expressão, que expressava um momento chave do enfadonho jogo da batalha naval, é aplicável ao que sucedeu em França a propósito do protesto dos “coletes amarelos”.

Não que seja fácil comparar Macron a um porta-aviões. Mas o efeito sobre a sua governação - já de si muito esburacada - é comparável a um tiro da “batalha naval”.

Macron fica agora muito fragilizado e a sua acção política futura estará severamente condicionada. Para além do muro com que (como era previsível) esbarrou nas negociações com a Alemanha sobre o futuro da zona euro, junta-se agora uma derrota interna clara.

Tenho sido um crítico sem reservas das posições europeias de Macron, que veiculam um federalismo extremo. Para além disso, é nele visível uma grande confusão de ideias, quer relativamente a temas europeus (lembremos por exemplo a gaffe relativa ao exército europeu ou o seu conceito destrambelhado de “soberania europeia”) quer, tanto quanto me apercebo, às reformas internas.

Uma condição necessária (embora não suficiente) para se ser um bom governante é ter ideias claras. Macron não as tem e isso é especialmente grave no país de Descartes.

Mas há uma questão que deve merecer a nossa atenção futura.

No seu discurso depois do protesto, Macron prometeu um conjunto de coisas que, a serem cumpridas, irão agravar o défice orçamental francês.

Todos estaremos atentos para verificar como reagirá a Comissão Europeia a esse eventual agravamento do défice.

Será uma reacção similar à que teve relativamente ao orçamento italiano, ou veremos de novo Juncker a dizer, com a profundidade dos grandes conceitos, que a França é a França?

Comentários
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  • António Costa
    15 dez, 2018 Cacém 11:29
    Ser uma "boa pessoa" não significa ser-se um bom governante. A cobardia face aos "Cohn-Bendit" pintados de amarelo não leva a lado nenhum. O direito ao protesto e à indignação é perfeitamente legitima. Destruir e vandalizar os pertences de pessoas remediadas é uma acção de "guerra total".