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Opinião de Luís Cabral
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Discriminações

08 set, 2017 • Opinião de Luís Cabral


A reacção típica a situações de discriminação é tipicamente - e com razão - negativa. No entanto, o julgamento ético da prática da discriminação é mais complicado do que parece à primeira vista.

O problema da discriminação está na ordem do dia: ainda na semana passada o Ministro Adjunto Eduardo Cabrita prometia "organizar um debate sobre participação social, cultural e política de comunidades como afrodescendentes ou cigana. Temos de por estes temas, sem complexos e sem preconceitos, na agenda do debate político”. (Segundo a ortografia que aprendi, seria "pôr estes temas", não "por estes temas"; mas enfim).

A reacção típica a situações de discriminação é tipicamente - e com razão - negativa. No entanto, o julgamento ético da prática da discriminação é mais complicado do que parece à primeira vista.

Com o objectivo de clarificar as situações, os economistas propõem a distinção entre discriminação baseada em preferências e discriminação baseada em análise estatística.

A discriminação baseada em preferências é o que normalmente nos vem à mente quando falamos em discriminação: tratamos mal as pessoas de uma certa raça ou sexo ou etnia ou religião ou idade ou classe social porque temos um preconceito contra essas pessoas. A nossa parcialidade pode ser ou não ser reconhecida; pode ser ou não ser objectiva; mas corresponde a um preconceito que reprovamos nos outros e de que nos envergonhamos quando nosso.

A discriminação baseada em análise estatística corresponde ao tratamento diferenciado de diferentes grupos quando a análise estatística revela diferenças relativamente a características objectivas e relevantes para a decisão a tomar. Isto é uma definição e meia! O melhor será dar um exemplo: Em muitos países as mulheres pagam menos por seguro automóvel do que os homens, pelo simples facto de que, objectivamente, as mulheres têm menos acidentes de viação que os homens.

Objectivamente, o comportamento das companhias de seguro corresponde a uma forma de discriminação: é quase como se tivessem um "preconceito" contra os homens. No entanto, na medida em que as companhias de seguro tenham de fazer as suas contas, balanceando custos com receitas, parece aceitável este tipo de discriminação.

Infelizmente, a realidade está cheia de casos intermédios em que as pessoas argumentam que o que estão fazendo é simplesmente discriminação baseada em análise estatística, quando na realidade há também algo - ou mesmo muito - de discriminação baseada em preferências.

Comentários
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  • João Lopes
    10 set, 2017 Viseu 20:58
    Excelente artigo!
  • Joaquim
    09 set, 2017 lisboa 01:07
    O problema está, que não existem estatísticas no que diz respeito a etno africanos ou ciganos, porque isso seria discriminação racial. Os únicos números que existem, é da população prisional, que em grande parte dá voz afirmativa a boa parte Vox Pupulis,