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Sexta-feira, 28 de julho de 2017

• D. António Couto


O símbolo dá que pensar. Este aforismo ricoeuriano diz duas coisas: o símbolo dá, e o que dá é pensar. Portanto, dá casa, hospedagem, hospeda o pensamento. Não sou eu, então, que ponho o meu nascimento, e o sentido que daí decorre. O símbolo oferece-o, depõe-no na palma da minha mão. Uma simples flor, uma semente pequenina, uma gota de água, um grão de trigo, trazem consigo um imenso fio de sentido de que depõem uma ponta em minha mão, e dão-me a saber que outra mão segura e sustém a outra ponta. Uma seara em movimento, a água de um pequeno regato que corre e irriga os campos sequiosos, cada bago de uva grávido de generoso vinho, o canto de uma criança que brinca no quintal, uma nota musical que se solta de uma flauta. Anda por aí, perto de mim, perto de ti, uma voz que nunca se ouviu, um silêncio que nunca se calou: «Onde estás?»; «onde está o teu irmão?»; «onde estavas quando Eu colocava os fundamentos da terra?»; lembras-te quando passei por ti, e te retirei do abandono e da indiferença, e te fiz viver; será que sabes que também tu passas por Mim muitas vezes, e nem olhas para Mim: «Quando foi, Senhor, que te vimos com fome ou com sede, estrangeiro ou nu, doente ou na prisão, e não te socorremos?».

Ensina-me, Senhor, neste tempo de sol e mar e graça, a percorrer de ponta a ponta esse belo fio de sentido, que depositaste na palma da minha mão, e que me pode levar até à Tua.

Bom dia!

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